Acho. Acho não, tenho certeza que os “ares” carioca incentivaram meu senso crítico. Ao andar pela minha querida Bom Jesus do Itabapoana nestas férias percebo algumas coisas que me eram invisíveis. Impressionante como não encontramos lixeiras nas ruas, as leis de trânsito não são respeitadas e falta fiscalização por parte dos órgãos responsáveis. Cada vez que venho vejo “rostos” mais diferentes. Ainda temos a concepção de cidade pequena – uma vez que somos – que todos conhecem todos. Porém, isso tem explicação. Os governos anteriores esqueceram dos jovens. Falta projetos esportivos e culturais para a juventude, que para pelo menos sonhar é obrigada a deixar sua casa e buscar seus objetivos em outra cidade. Nunca na história desse município teve tanto bonjesuense ausente. FACHA, PUC, UCAM, UFRJ, UERJ, UFF. Até na Bolívia tem bonjesuense estudando. Os políticos arcaicos acreditam que a instalação de faculdades na cidade traria junto o aumento da criminalidade. A cidade conta com um campus da UFF com o curso de Serviço Social. Que ótimo para quem quer ser assistente social, mas e quem deseja ser um advogado – como o brilhante Diego Lemos – ou um analista internacional – como o progressista Alencar Cordeiro – ou simplesmente um jornalista como este que todos os dias vêm aqui dar sua colaboração na construção de uma nova sociedade. Uma nova sociedade? Uma utopia? Talvez. O certo é que se não lutamos, cobramos, denunciamos, criticamos, colaboramos, nada mudará e o futuro de todas as gerações será o mesmo – exploração de nossa força de trabalho, passividade nas decisões equivocadas de nossos governantes e baixíssima perspectiva de futuro. Utopia ou não uma coisa é certa – lutar é preciso, hoje e sempre.
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