
Desde a criação deste blog, mostrei minha preferência pela candidatura do Deputado Fernando Gabeira para a prefeitura do Rio de Janeiro. Meu primeiro post aqui - Reforçando a Utopoia Carioca - foi justamente sobre o lançamento de sua candidatura, da qual fui militante e entusiasta. Gabeira mostrou ser possível se fazer política com dignidade, com ética, com respeito. Enquanto escrevo este post, às 20:30, 100,00% das urnas apuradas indicam a vitória de Eduardo Paes com 50,83% dos votos válidos, contra 49,17% de Fernando Gabeira. Apesar da derrota (derrota da mudança, da cultura, de uma política inovadora, da ética, da transparência) e de toda a sujeira na candidatura do prefeito eleito, com panfletos apócrifos, acusações mentirosas, utilização da máquina estadual e, principlamente na criação deste estapafúrdio feriado na segunda-feira (valendo lembrar que as abstenções neste segundo turno chegaram a 20,25%, um número altíssimo) torço para que sua administração seja a melhor possível; que seja boa para o Rio; que, pelo menos, seja melhor do que a administração de César Maia - seu padrinho político original; que o Rio ande para frente. Não dá para torcer contra a cidade. Irei torcer sim, mas sem esquecer o que passou. Chega de ser eleito e não cumprir promessas. Vou fiscalizar e peço que, para o bem do Brasil, todos nós, brasileiros, façamos o mesmo, em todas as cidades.
Quanto ao Rio de Janeiro, seguem as principais promessas feitas pelo candidato durante a campanha:
para as promessas não cumpridas e
para as cumpridas
TRANSIÇÃO
Para já começar a trabalhar no combate à dengue, nomearia, no dia seguinte à eleição, o secretário de Saúde.
Não ocupação política da máquina administrativa.
TRANSPORTE
- Implantar o bilhete único, que permite ao usuário pegar mais de uma condução pagando só uma tarifa.
- O sistema de bilhete único terá de se sustentar sozinho. “Não vou subsidiar empresas de ônibus”.
- Licitar as cerca de 400 linhas de ônibus do município e reorganizar o sistema.
- Legalizar e licitar as linhas de vans, e regulamentar o transporte complementar.
- Aprofundar o combate às vans piratas. Licitar e definir áreas para atuação das vans apenas como transporte complementar.
- Ajudar o estado a implantar a linha 4 do metrô, da Barra a Botafogo (orçada em R$ 1,2 bilhão).
- Ajudar o estado a implantar o novo trajeto da linha 2 do metrô, para evitar baldeação no Estácio.
- Fazer a ligação entre a Barra e os subúrbios de Madureira e Penha, por meio de ônibus articulados, o projeto T-5.
- Pôr limites de velocidade diferentes à noite em áreas consideradas de risco.
- Substituir os pardais por lombadas eletrônicas, visíveis.
- Sincronizar os sinais de trânsito.
- Renovar a frota de ônibus para dar acesso aos deficientes.
- Ajudar a Supervia a adquirir novos trens.
- Regulamentar os pontos de embarque e desembarque de vans
- Reduzir a taxa do Darm (Documento de Arrecadação Municipal) das vans.
- Dar meia-passagem a universitários.
- Criar passe livre para pessoas com tratamento continuado na rede municipal de saúde.
- Expandir os postos GNV.
TRIBUTOS
- Não aumentar o IPTU.
- Engordar a receita por meio da base de arrecadação.
- Implantar a nota fiscal eletrônica, que permite acompanhar on line a emissão de comprovantes que geram arrecadação de ISS. O sistema é um meio de aumentar a arrecadação sem subir impostos.
- Criar parcerias com os governos estadual e federal visando dar incentivos fiscais às empresas que empregarem o deficiente.
- Reduzir o ISS das áreas de tecnologia, turismo e seguros.
- Dar benefícios tributários às cooperativas de táxi.
EDUCAÇÃO
- Acabar com a aprovação automática nas escolas da rede municipal de ensino.
- Aumentar a rede de creches, triplicando o número de vagas. Oferecer 160 mil vagas nas pré-escolas, colocando todas as crianças de 4 e 5 anos.
- Usar clubes e áreas afins para atividades extracurriculares de alunos da rede municipal.
- Instituir aulas de reforço em todas as escolas municipais.
- Contratar mais professores
- Investir na qualificação e remuneração dos professores.
- Criar o Pró-Técnico, de bolsas em cursos técnicos.
- Ampliar a rede de vilas olímpicas
- Criar programas de prevenção às drogas nas escolas.
- Ampliar o Ônibus da Liberdade (transporte gratuito a alunos).
- Criar o Fundo Municipal de Apoio à Pesquisa.
LIXO
- Não levar o aterro sanitário para Paciência.
- Criar um programa de reciclagem de lixo.
FAVELAS
- Aproveitar áreas abandonadas ao longo da Av. Brasil para construir unidades habitacionais.
- Ampliar o PAC das Favelas nos grandes complexos, como Lins e Penha.
- Continuar o Favela-Bairro, com adaptações para retomar a concepção original.
- Ampliar os Pousos para fiscalizar construção em favelas. “Não vou permitir novas ocupações”.
- Para ter o apoio do candidato derrotado do PRB, Marcelo Crivella, prometeu implementar o Cimento Social, com adaptações.
- Pôr em prática o Plano Municipal de Habitação de Interesse Social, para aplicar R$ 50 milhões, por ano, no financiamento de cem mil casas populares. Os recursos seriam garantidos com a parceria entre estado e União, além do apoio da iniciativa privada.
SAÚDE
- Ampliar o Programa Saúde da Família, que no Rio, hoje, tem cobertura de apenas 7%. Criar 60 consultórios de Saúde da Família, funcionando em três turnos.
- Construir 40 Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) 24 horas, com cinco milhões de atendimento por ano, retirando das filas dos hospitais 20 mil pessoas/dia.
- Méier e Madureira ganharão as primeiras UPAs.
- Colocar os postos de saúde abrindo às 6h e fechando às 20h, com plantão permanente de clínicos, pediatras e ginecologistas.
- Criar um gabinete integrado contra a dengue e um plano emergencial de combate ao mosquito.
- Contratar, logo, 1.850 agentes de saúde para o combate à dengue.
- Postos de saúde e todas as unidades de saúde poderão fazer exame de sangue para diagnosticar a doença.
- Assumir o papel de gestor pleno da saúde no município.
- Criar um programa de atendimento domiciliar ao idoso.
- Criar 20 centros de convivência dos idosos.
- Readequar as instalações dos centros de saúde municipais pondo rampas, elevadores e outras facilidades.
- Transformar postos de saúde em Clínicas da Família, com pediatria, ginecologia e odontologia.
- Ampliar o programa Remédio em Casa para pacientes crônicos.
- Construir o Hospital da Mulher, em Realengo.
- Construir uma maternidade em Campo Grande.
- Reativar a antiga Maternidade Leila Diniz.
- As gestantes que fizerem seis consultas de pré-natal vão receber um documento garantindo a maternidade onde terão o filho.
- Construir cinco centros de reabilitação para deficientes.
- Criar 150 equipes do Programa de Atendimento Domiciliar ao Idoso (PADI)
- Implantar 20 Lares do Idoso.
- Criar 50 equipes multidisciplinares nas escolas, com pediatra, ginecologista, oftalmologista, dentista, psicólogo, fonoaudiólogo e assistente social.
- Converter unidades de saúde do município em Centros de Referência da Saúde da Mulher, com criação de cinco destes centros.
- Criar o Hospital do Idoso, na Tijuca.
- Melhorar o Hospital de Acari (com obras começando em 2009).
- Melhorar o Hospital Paulino Werneck (com obras começando em 2009).
- Aumentar o atendimento do Salgado Filho e do PAM do Méier.
- Reequipar todos os hospitais municipais, contratando mais médicos e enfermeiros.
- Criar três centros de referência para obesos.
ORDEM
- Criar uma Secretaria de Ordem Pública, para o ordenamento e o combate a pequenos delitos. No início, vai priorizar a Tijuca.
- Criar corredores iluminados nas áreas que concentram bares e restaurantes, como a Lapa. A Guarda Municipal combaterá os flanelinhas.
- Adaptar os espaços públicos de lazer aos deficientes.
- Recuperar e conservar a pavimentação das ruas.
- Iluminar adequadamente as ruas, em particular os acessos aos corredores de transporte público, aos pontos de ônibus e às estações de trem e metrô.
- Propor à Câmara um novo Plano Diretor.
- Construir novos abrigos para população de rua.
- Criar um centro de cidadania em Bangu.
- Criar um mergulhão sob a linha do trem de Madureira.
- Adotar o projeto Cidade Limpa, de São Paulo, para limitar a publicidade nas ruas.
CAMELÔS
- Ordenar, regularizar as áreas em que pode haver camelôs, dar licença e fiscalizar.
- “A Guarda Municipal não vai bater em camelô”.
APACs
- Manter as Apacs, com as normas que protegem casarões e prédios de interesse cultural. Serão complementadas com estudos de impacto de vizinhança para construções em áreas adensadas.
ADMINISTRAÇÃO
- Manter todos os benefícios do governo atual aos servidores municipais, como carta de crédito, plano de saúde, não cobrança da contribuição previdenciária dos inativos, e dar reajuste salarial anual.
- Não unir a previdência municipal à do estado.
- Criar um sistema de acompanhamento orçamentário municipal pela sociedade.
- Discutir o orçamento cidadão, uma versão do orçamento participativo.
- Instituir a Secretaria municipal da Mulher.
TURISMO E MEIO AMBIENTE
- Levar saneamento básico a 100% da Zona Oeste em parceria com o governo do estado.
- Recuperar as praias da Baía de Sepetiba.
- Recuperar as lagoas da Barra e de Jacarepaguá.
- Dragar os canais.
- Retomar o projeto Guardiões dos Rios, que contrata mão-de-obra comunitária para atuar na limpeza dos rios da cidade.
- Implantar o projeto de reflorestamento Guardiões das Matas
- Articular com investidores privados a construção e a concessão de um centro de convenções no Aterro do Flamengo.
- Estimular a expansão da rede hoteleira na Barra da Tijuca.
- Dinamizar o Centro de Convenções da Cidade Nova.
- Transformar o Porto e o entorno do Maracanã em áreas turísticas.
- Investir na promoção da cidade no país e no exterior.
- Transformar Copacabana em capital brasileira do turismo de terceira idade.
- Captar recursos para despoluir a bacia de Jacarepaguá.
SEGURANÇA
- Treinar a Guarda Municipal para trabalhar em cooperação com a polícia. A Guarda terá poder de polícia para combater o pequeno delito.
- A Guarda Municipal terá seu efetivo aumentado e trabalhará 24 horas.
- Reformular a Guarda Municipal com o fim do regime celetista, e aumento do efetivo
- Redistribuição da força pela cidade (ênfase na Zona Norte).
- Equipar o efetivo da Guarda Municipal com armas não-letais e rádios de comunicação.
- Valorizar as subprefeituras e redefinir seus limites de modo que coincidam com as Áreas Integradas de Segurança Pública.
- Ampliar o programa Bairro Bacana em parceria com o governo do estado, priorizando áreas com alto índice de crimes de rua.
- Multiplicar o número de câmeras de vigilância nos principais acessos aos pontos turísticos.
- Criar um corredor de segurança para o turismo.
- Criar em parceria com o governo do estado uma nova Delegacia de Atendimento ao Idoso em Copacabana.
- Apoiar iniciativas de combate à homofobia.
CULTURA E ESPORTE
- Criar o Incentivo Jovem, para identificar iniciativas culturais e esportivas.
- Criar um parque de lazer em Madureira.
- Recuperar o Imperator, no Méier.
- Manter a terceirização da gestão do carnaval, licitando-a.
- Conceder a Cidade da Música à iniciativa privada.
- Criar um calendário cultural, tendo, a cada mês, 12 grandes eventos.
Fonte: O Globo
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A derrota de Paes
Cora Rónai
Abrindo mão das próprias convicções (se é que um dia as teve), aliando-se ao que há de mais podre no estado, gastando rios de dinheiro, jogando sujo, usando descaradamente a máquina estadual, federal e universal, beneficiando-se até de um feriado mal intencionado, enfim, com tudo isso, Eduardo Paes só conseguiu ganhar de Gabeira por 50 mil míseros votos.
Como vitória política, já é um resultado extremamente questionável; mas do ponto de vista pessoal, é uma derrota acachapante.
Eduardo Paes levou a prefeitura, sim, mas de contrapeso ficou com uma quadrilha de aliados que não deixa nada a dever àquela que ele acusava o presidente Lula de comandar.
Vai ser prefeito, sim, mas vai ter de arranjar boquinhas para o Crivella, para o Lupi, para o Piciani, para a Clarissa Garotinho, para o Roberto Jefferson, para a Carminha Jerominho, para o Babu, para o Dornelles, para a Jandira… estou esquecendo alguém?
Conquistou um cargo, é verdade, mas conquistou também o desprezo mais profundo de metade do eleitorado.
Em compensação, como carioca, perdeu a chance de viver um momento histórico, em que a prefeitura seria, afinal, ocupada por um homem de bem, com idéias novas e um novo jeito de fazer política; perdeu a chance de ver o Rio de Janeiro sair do limbo a que foi condenado nas últimas décadas, e ganhar projeção pela singularidade da sua administração.
Se Gabeira tivesse sido eleito prefeito, o Rio, que hoje não significa nada em termos políticos, voltaria a ter relevância, até pelo inusitado da coisa. Um prefeito eleito na base do voluntariado, do entusiasmo dos eleitores e da vontade coletiva de virar a mesa seria alguém em quem o país seria obrigado a prestar atenção.
Agora, lá vamos nós para quatro anos de subserviente nulidade, quatro anos em que o recado das urnas será interpretado, pela corja que domina esta infeliz cidade, como um retumbante ‘Liberou geral!’
Nojo, nojo, nojo.
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